Fone de haste de entrada costuma ser um fone simples: liga, toca e dura. O Tune 530BT faz isso, e mais algumas coisas que nem aparecem na ficha da JBL. Ele conecta em dois aparelhos ao mesmo tempo, tem app com equalização, botões que dá para reprogramar, desliga sozinho quando você esquece e, em alguns celulares, pode ser achado pelo serviço de localização.
A ficha fala em três equalizações prontas; o app mostra seis e ainda salva uma curva sua. A ficha não fala em desligamento automático; o app tem. A ficha não diz que os controles são botões físicos; são, e dá para escolher o que cada toque faz. Pouca coisa nessa faixa de preço chega tão longe.
| Formato | apoia sobre a orelha (on-ear), dobrável |
|---|---|
| Alto-falante | 33 mm |
| Bluetooth | 6.0 |
| Bateria | até 76 h de música, 45 h de conversa |
| Carga rápida | 5 minutos para 5 horas |
| Microfones | dois em cada fone |
| Dois aparelhos | sim |
| App | JBL Headphones |
| Peso | 152 g |
| Água | a marca não declara |
76 horas, em dias
Setenta e seis horas é número difícil de imaginar. A nossa conta: com três horas por dia, são 25 dias entre uma carga e outra. No uso real, de três a cinco horas por dia, a carga passa de duas semanas. Uma medição mais longa chegou perto de 65 horas, abaixo da promessa, mas ainda muito acima do comum.
Na prática, você carrega uma vez a cada duas ou três semanas. Alguns celulares deixam ligar o áudio LE, um jeito novo de transmitir o som pelo Bluetooth que gasta menos bateria. Só que, ligado, ele desliga outra função do app, a de áudio e vídeo inteligente. As duas não funcionam juntas.
5 minutos, 5 horas
A carga rápida é a mais forte desta comparação. Cinco minutos na tomada dão cinco horas de música. Em minutos de uso por minuto de carga, a conta é 60. O TAH2300, segundo colocado, faz 40. O TAT1109 faz 4.
Junte isso à bateria grande e o resultado é um fone que quase nunca deixa você na mão.
Dois aparelhos e o microfone preso
O Tune 530BT fica ligado no celular e no computador ao mesmo tempo. Você ouve música no notebook, o telefone toca, e ele passa para a ligação.
Tem um porém. Se um programa de chamada estiver aberto no computador, o microfone pode ficar preso nele. Você atende o celular, ouve a pessoa, e ela não ouve você. Feche o programa do computador antes de atender, e o problema some.
A voz que some
O microfone é o ponto fraco. A JBL coloca dois microfones em cada lado, com captação dirigida para a boca. Em lugar calmo, a voz sai clara, sem deformar.
O problema está na redução de ruído da chamada. Dependendo do ritmo de quem fala, ela confunde pedaços da própria voz com barulho e corta. Sílabas emendadas somem. Para recado de voz e ligação curta, serve. Para reunião de uma hora, procure outro.
Na cabeça
Com 152 g, é leve. O arco tem formato mais oval que o da geração anterior, e a pressão na cabeça e nas orelhas caiu. Dá para usar de óculos por horas, embora cada cabeça seja uma cabeça.
Como a almofada apoia sobre a orelha, toda a pressão fica ali. Para orelha grande, a concha pode ficar pequena. Mesmo assim, a espuma veda bem e abafa o som de fora mais do que se espera de um fone que só apoia.
O som puxa para o grave, com médio e agudo mais nítidos que os da geração anterior. A sensação de som abafado, comum em fone barato, não aparece. E o volume vai alto, acima da média da categoria. Se achar baixo, confira o limitador de volume no app e no celular antes de reclamar.
O atraso é bom para vídeo. Em jogo, ainda sobra um pouco: dá para jogo casual, não para competitivo.
O botão do meio mudou de relevo em relação à geração anterior e ficou mais difícil de achar com o dedo. Em um ou dois dias, você acostuma.
Onde ele não deve ir
A JBL não declara código de proteção contra água ou suor. O fone também não tem cancelamento ativo de ruído, e o formato que só apoia sobre a orelha não isola o bastante para rua barulhenta, ônibus ou avião.
Resumindo: academia, corrida, rua movimentada e viagem longa não são o lugar dele. Casa, escritório e caminhada tranquila são.
O revestimento das almofadas e do arco é sintético. Esse tipo de material costuma acumular suor e descascar com o tempo, e a expectativa é de um a dois anos até precisar trocar. Depois de semanas de uso diário, ainda não há desgaste visível.
Dobrado, ele ocupa um pouco mais que a geração anterior, por causa do novo formato do arco. Cabe na mochila, mas não no bolso.
Pegue se você
- trabalha no computador e atende o celular;
- quer carregar o fone uma vez a cada duas semanas;
- gosta de ajustar o som num app;
- usa óculos e quer fone leve.
Deixe se você
- vai suar com ele;
- faz reunião longa por voz;
- quer silêncio no ônibus: aí o caminho é cancelamento ativo, que nenhum dos cinco tem.
O que ainda não se sabe é quanto tempo o revestimento das almofadas aguenta no dia a dia brasileiro, de calor e suor. A marca não diz, e o fone é recente demais para alguém dizer com certeza. Se durar o que a bateria promete, é a melhor compra de haste desta comparação.
